segunda-feira, 28 de março de 2016

Ausencialidade











Na busca de um Eu não presumível
perdi-me no horizonte em que me encontro
encontrei-me em meio ao desencontro
na inércia em que a existência me coloca
pois a realidade, essa, já não mais me choca . . .


Singrei as dimensões da própria vida
pois já não sentia mais a divina calma
diluída em meio a intempérie
que nessa hora desaba em minha alma.

Roguei aos céus pela celeste clemência
mas só ouvi o silêncio a ensurdecer-me
no ritmo em que balanço minha demência
pois diante do abismo
só nos resta mesmo ter paciência . . .

Percebi então, ainda mais absorto,
que a vida só não testa
aquele que já está morto
pois e assim que ela atesta,
não importando mais o desconforto,
se estás apto a adentrar a festa.

Aceita então o reles caminho
em que te insere a bendita existência
pois a vida que te habita em teu próprio ninho
nada mais é que a áurea resiliência
de fazer o seu melhor onde estiveres
deixando de lado a inconsciência
pois ao fim, tudo o que te sobra,
é a sua simples e eterna essência.

Não mais se atreva a questionar
aquele que do alto está a tudo a observar,
arreda-te das sombras e do fel
se queres de fato provar o divino mel
pois só os que passam pelo rude amargar
podem enfim, alcançar o seu próprio céu . . .

SRB - 28/03/2016 - ‪#‎maispróximoquearespiração‬

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